Crise dos quase vinte

Quando começamos a ter uma noção do mundo em que vivemos, é uma mistura estranha e maravilhosa de sentimentos. Somos curiosos. Somos ...


Quando começamos a ter uma noção do mundo em que vivemos, é uma mistura estranha e maravilhosa de sentimentos.

Somos curiosos. Somos entrantes em um lugar que dizem que é nosso. Mas como pode ser nosso se já estava aqui antes mesmo de abrirmos os olhos pela primeira vez?

Lidamos com isso. Aprendemos a lidar. Somos obrigados a aprender.

Com o passar do anos, a curiosidade se transforma na ansiedade de fazer. Fazer tudo o que podemos e tudo aquilo que achamos que podemos. Somos feitos dos nossos fazeres, dos que deram certo e daqueles que não deram. E isso, no final das contas, é que nos tornamos. Somos nossas conquistas e nossas derrotas, somos a curiosidade, somos o fazer.

Perto de completar 20 anos, mais uma vez me peguei curiosa e ansiosa por fazer tudo o que eu queria ter feito antes. Todos aqueles velhas anotações que guardei na gaveta estão clamando para serem lidas novamente. Sonhos não aceitam ser guardados por tanto tempo em um espaço tão pequeno.

O que seria grande o suficiente para guarda-los? O mundo.

Após quase duas décadas de vida, sinto que não fiz nada. Estava tudo tão bem guardado.

Desanima.
Des- anima.
Eis que anima.

Guardei sonhos por tanto tempo que agora vejo que tempo nada mais é que apenas tempo.

20, 30, 40 anos. Números que querem nos fazer acreditar que estamos ficando velho. Que vivemos para morrer.

Não.

Vivemos para viver. Vivemos para curiar. Vivemos para fazer.

Demorei a perceber que não importa a minha idade. Vivi antes, vou viver agora. Vou viver pelas próximas décadas que virão.

Vou viver meus sonhos. E sonhar mais.

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